Enquanto taxistas protestam, surge um novo "UBER" exclusivo para mulheres
Um casal de Massachussets, nos Estados Unidos,
criou o Chariot for Women, um aplicativo parecido com o Uber, mas com um
diferencial: só mulheres podem dirigir, e só mulheres e crianças de até 13 anos
podem ser passageiras.
Outra medida de segurança do aplicativo é um código gerado no
momento do pedido do carro, tanto para quem dirige quanto para a passageira,
para que ambas tenham certeza de estão com a pessoa certa na corrida.
Além disso, o Chariot está desenvolvendo uma forma de
identificar motoristas e passageiras por suas impressões digitais.
O serviço foi criado por Kelly Pelletz e seu marido, Michael,
que foi motorista do Uber por quase um ano. A ideia surgiu quando, uma noite,
um homem bêbado e totalmente descontrolado entrou no carro de Michael.
Aterrorizado, o motorista dirigiu várias quadras até conseguir
encontrar um policial. Michael diz que só conseguia pensar na esposa, e em como
as mulheres ficam vulneráveis em situações como aquela.
Quando ele comentou a história com Kelly, veio o estalo: e se
eles criassem um serviço que fosse apenas para mulheres?
Reclamações e denúncias de abuso no Uber têm ficado cada vez
mais frequentes entre as usuárias. Em dezembro de 2014, um motorista em Nova
Deli, na Índia, foi preso depois de estuprar uma passageira e, no ano passado,
duas mulheres processaram o serviço depois de terem sido violentadas - uma em
Boston, outra na Flórida.
Em um relatório interno do aplicativo, vazado pelo site Buzzfeed
em março, aparecem mais de 6 mil denúncias de assédio sexual e de estupro,
feitas entre 2012 e 2014.
Em nota oficial, o Uber disse que o número real de reclamações
das passageiras é muito menor: algo em torno de 170 casos de assédio e 5 de
estupro.
O aplicativo alega que, no relatório, havia reclamações como
"tive minha carteira estuprada" ou "esse preço é um abuso",
e que muitos dos motoristas têm a palavra "rape" (estupro) dentro do
próprio nome - como John Draper ou Jack Brapery - o que teria inflado os dados
sobre estupro e abuso sexual.
Mesmo assim, o Uber tem tomado medidas para tentar onter o
problema: no ano passado, o serviço prometeu criar um milhão de vagas para
motoristas mulheres até 2020, em parceria com a ONU Mulheres.
Mas o app ainda não oferece a opção de selecionar uma motorista
mulher. O serviço de transporte para mulheres ainda está em fase beta, em
Massachussets, e será lançado no resto dos Estados Unidos no dia 19 de abril.
O pagamento das corridas é feito via Paypal, e os preços são
parecidos com as tarifas de táxi no país (os criadores do app prometem doar
parte do lucro para instituições de caridade).
Revista Exame

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